Piso tátil: tipos, medidas e regras da NBR 16537
O piso tátil, também chamado de piso podotátil, é a sinalização em relevo instalada no chão para orientar pessoas com deficiência visual. Ele se percebe com a bengala longa e com a sola dos pés, e a cor contrastante ajuda quem tem baixa visão. Há dois tipos: o piso de alerta, com bolinhas, que avisa de um risco ou de uma decisão a tomar, e o piso direcional, com faixas lineares, que indica o caminho. No Brasil, as regras estão na ABNT NBR 16537, cuja edição atual é de 8 de janeiro de 2024.
Em resumo
- Alerta: relevos tronco-cônicos (as "bolinhas"). Indica escadas, rampas, travessias, elevadores, obstáculos suspensos e mudanças de direção.
- Direcional: relevos lineares, paralelos ao sentido da caminhada. Indica o percurso quando não há outra referência, como uma parede.
- Os relevos têm de 3 a 5 mm de altura, com 4 mm recomendados.
- O contraste com o piso ao redor deve ser de pelo menos 30 pontos de LRV, seco ou molhado.
- Amarelo não é obrigatório: a norma exige contraste claro-escuro, seja qual for a cor.
- Piso tátil não é braille. Ele não tem letras: é um código de dois sinais, "atenção" e "siga por aqui".
Os dois tipos de piso tátil
| Tipo | Relevo | O que comunica | Onde aparece |
|---|---|---|---|
| Alerta | Bolinhas em forma de tronco de cone | Atenção: risco, desnível ou ponto de decisão | Início e fim de escadas e rampas, travessias, beira de plataformas, frente de elevadores, em volta de obstáculos suspensos, cruzamentos de faixas direcionais |
| Direcional | Faixas lineares em forma de tronco de cone | Siga por aqui | Calçadas, estações, terminais, saguões, sempre que faltar uma guia de balizamento |
Os dois trabalham juntos. A faixa direcional leva a pessoa pelo percurso; quando o caminho muda de direção, se divide ou chega a um destino, a faixa encontra uma área de alerta.
As medidas da NBR 16537
A norma traz tabelas com as medidas dos relevos, em milímetros. Estas são as do piso tátil em placas (ABNT NBR 16537:2024, Tabelas 1 e 3):
| Piso de alerta | Recomendado | Mínimo | Máximo |
|---|---|---|---|
| Diâmetro da base do relevo | 25 mm | 24 mm | 28 mm |
| Distância horizontal entre centros | 50 mm | 42 mm | 53 mm |
| Distância diagonal entre centros | 72 mm | 60 mm | 75 mm |
| Altura do relevo | 4 mm | 3 mm | 5 mm |
| Piso direcional | Recomendado | Mínimo | Máximo |
|---|---|---|---|
| Largura da base do relevo | 30 mm | 30 mm | 40 mm |
| Largura do topo do relevo | 25 mm | 20 mm | 30 mm |
| Distância horizontal entre centros | 83 mm | 70 mm | 85 mm |
| Altura do relevo | 4 mm | 3 mm | 5 mm |
Os relevos aplicados diretamente no piso, como os pinos e as barras de inox, têm tabelas próprias (Tabelas 2 e 4). No alerta, a base vai de 25 a 30 mm e a distância entre centros é o diâmetro da base mais 20 mm. No direcional, a base vai de 35 a 40 mm e a distância entre centros é a largura da base mais 40 mm.
Larguras das faixas
| Situação | Largura da sinalização |
|---|---|
| Faixa direcional | Entre 0,25 m e 0,40 m, ou pelo menos três elementos |
| Alerta no início e no fim de rampas | Entre 0,25 m e 0,60 m |
| Alerta na beira de plataformas | Entre 0,25 m e 0,60 m, a 0,50 m da borda; em plataformas na via pública, entre 0,40 m e 0,60 m |
| Alerta em volta de obstáculos suspensos | Entre 0,25 m e 0,60 m, a 0,60 m da projeção do objeto |
Ao lado da faixa direcional deve haver faixas lisas de pelo menos 0,60 m, para que o relevo se destaque. A largura e a cor da faixa direcional devem ser constantes ao longo do percurso.
Onde o piso de alerta é obrigatório
Nas áreas públicas e de uso comum, a norma pede sinalização de alerta para:
- avisar de desníveis e de riscos permanentes, como objetos suspensos que a bengala não detecta;
- posicionar a pessoa diante de elevadores, equipamentos de autoatendimento e balcões;
- marcar mudanças de direção e opções de percurso;
- indicar o início e o fim de escadas e rampas;
- indicar patamares, nas situações previstas;
- indicar o local de travessia de pedestres.
Os obstáculos suspensos são os que ficam entre 0,60 m e 2,10 m de altura, como um orelhão ou uma placa presa na parede. A bengala passa por baixo deles, e por isso o alerta no chão é necessário.
Cor e contraste: precisa ser amarelo?
Não. A norma exige que a sinalização seja detectável pelo contraste de luminância: a diferença de LRV (Light Reflectance Value, a refletância da luz) entre o piso tátil e o piso ao redor deve ser de no mínimo 30 pontos, seco ou molhado. Também pede que se evite usar verde e vermelho juntos e que prevaleça o contraste claro-escuro, "quaisquer que sejam as cores".
O amarelo é popular porque contrasta com o cinza do concreto e com a maioria das calçadas. Num piso claro, porém, um piso tátil preto ou azul pode contrastar melhor. A cor importa por um motivo concreto: a própria norma lembra que, segundo estimativa da OMS, cerca de 70 % das pessoas com deficiência visual ainda têm algum resíduo visual aproveitável.
Materiais: borracha, concreto, PVC ou inox
A NBR 16537 não escolhe o material. Ela exige que a sinalização seja antiderrapante em qualquer condição e que o relevo e a cor se mantenham durante todo o ciclo de vida da edificação, em áreas internas e externas. Os materiais mais comuns são:
| Material | Uso típico |
|---|---|
| Concreto | Calçadas e áreas externas; a placa já sai com o relevo e a cor |
| Borracha | Áreas internas e reformas; é colada sobre o piso existente |
| PVC | Áreas internas, instalação rápida |
| Inox | Pinos e barras aplicados diretamente no piso, comuns em shoppings e edifícios com piso de pedra |
Piso tátil não é braille
O piso tátil e o braille servem ao mesmo público, mas são coisas diferentes. O braille é um sistema de escrita: cada cela de seis pontos forma uma letra, um número ou um sinal. A palavra "piso", por exemplo, se escreve ⠏⠊⠎⠕. O piso tátil não tem letras: tem só dois sinais, e se lê com os pés e com a bengala, não com a ponta dos dedos.
A NBR 16537 deixa isso explícito ao excluir de seu escopo as placas com informação tátil e os mapas táteis. O braille de placas, corrimãos e botões de elevador segue outras normas de acessibilidade.
De onde veio o piso tátil
O piso tátil nasceu no Japão. Seiichi Miyake o criou em 1965, e os primeiros blocos foram instalados em 18 de março de 1967, em Okayama, perto de uma escola para cegos. No Japão ele se chama tenji block, "bloco braille", embora não seja braille. Hoje existe uma norma internacional, a ISO 23599, e cada país tem a sua; no Brasil, a primeira edição da NBR 16537 é de 2016.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre piso tátil de alerta e direcional?
O de alerta tem bolinhas e avisa de um risco ou de uma decisão: escada, rampa, travessia, elevador, mudança de direção. O direcional tem faixas lineares e indica o caminho a seguir.
O piso tátil precisa ser amarelo?
Não. A NBR 16537 exige uma diferença de pelo menos 30 pontos de LRV em relação ao piso ao redor. O amarelo é comum porque costuma contrastar bem, mas preto, azul ou outra cor servem se o contraste for suficiente.
Piso tátil e piso podotátil são a mesma coisa?
Sim. "Podotátil" vem de podo, pé, e destaca que o relevo também é sentido com os pés.
Qual é a altura do relevo do piso tátil?
Entre 3 e 5 mm, com 4 mm recomendados, tanto no piso de alerta quanto no direcional.
Qual norma regula o piso tátil no Brasil?
A ABNT NBR 16537, "Acessibilidade — Sinalização tátil no piso". A edição em vigor é a de 2024, que reúne a edição de 2016, sua versão corrigida de 2018 e a Emenda 1.
