Sorobã: o ábaco que pessoas cegas usam para calcular

O sorobã é um ábaco de origem japonesa que, no Brasil, virou a principal ferramenta de cálculo de estudantes cegos. Em vez de escrever as contas, a pessoa registra os números deslizando contas em hastes verticais e faz as operações com os dedos. Em 1949, o brasileiro Joaquim Lima de Moraes adaptou o sorobã para pessoas com deficiência visual, e desde 2006 uma portaria do Ministério da Educação o reconhece como recurso educativo específico e imprescindível para alunos com deficiência visual.

Em resumo

  • O sorobã (soroban, em japonês) é um ábaco: um quadro com hastes verticais, cada uma com contas que representam algarismos.
  • Chegou ao Brasil com imigrantes japoneses e foi adaptado para pessoas cegas em 1949.
  • A adaptação incluiu uma borracha compressora sob as contas, ideia de José Valesin, aluno de Joaquim Lima de Moraes: as contas não se mexem sozinhas quando a mão passa por cima.
  • A Portaria MEC nº 1.010, de 10 de maio de 2006, instituiu o sorobã como recurso educativo específico imprescindível para cálculos por alunos com deficiência visual.
  • Sorobã e braille se completam: o braille escreve os números; o sorobã serve para calcular com eles.

Como é um sorobã

Um sorobã tem uma moldura retangular cortada por uma régua horizontal. Cada haste vertical atravessa a régua e guarda cinco contas:

Parte O que é Valor
Conta de cima Uma conta acima da régua Vale 5 quando encostada na régua
Contas de baixo Quatro contas abaixo da régua Valem 1 cada quando encostadas na régua
Haste Cada haste é uma ordem: unidades, dezenas, centenas… —
Pontos na régua Marcas em relevo que separam as classes de três em três hastes Ajudam a localizar a ordem pelo tato

Uma conta só conta quando está encostada na régua. Para registrar o 7 numa haste, por exemplo, desce-se a conta de cima (5) e sobem-se duas contas de baixo (2): 5 + 2 = 7. Com todas as contas afastadas da régua, a haste vale zero.

Por que o sorobã adaptado funciona com o tato

No sorobã comum, as contas deslizam com facilidade, e a mão de quem lê pelo tato acabaria por mexê-las sem querer. A adaptação brasileira colocou uma borracha compressora atrás das contas: elas ficam presas no lugar até que o dedo as empurre de propósito. Assim, é possível ler o número com a ponta dos dedos sem desfazê-lo.

A história no Brasil

Ano O que aconteceu
Início do século XX O soroban chega ao Brasil com imigrantes japoneses
1949 Joaquim Lima de Moraes adapta o sorobã para pessoas cegas; seu aluno José Valesin propõe a borracha compressora
2002 A Portaria Ministerial nº 657, de 7 de março de 2002, cria a Comissão Brasileira de Estudo e Pesquisa do Soroban
2006 A Portaria MEC nº 1.010, de 10 de maio de 2006, institui o sorobã como recurso educativo específico imprescindível

A portaria de 2006 lembra a diferença entre o sorobã e a calculadora: o sorobã é um contador mecânico cujo uso depende do raciocínio e da destreza de quem o maneja, enquanto a calculadora faz a conta sozinha (texto da portaria). Por isso ele é aceito como instrumento de cálculo para pessoas com deficiência visual na escola e em provas.

Sorobã e braille

O sorobã não substitui o braille: os dois trabalham juntos. O braille registra os números no papel: 2026 se escreve ⠼⠃⠚⠃⠋, com o sinal de número antes dos algarismos (números em braille). O sorobã é o lugar onde se faz a conta, como o papel de rascunho para quem enxerga.

Muitas escolas ensinam os dois em paralelo. Na Braillito, as operações matemáticas em braille aparecem no último mundo do curso, depois do alfabeto e dos números.

Perguntas frequentes

O que é sorobã?

Um ábaco de origem japonesa, com hastes verticais e contas. No Brasil, a versão adaptada é usada por pessoas cegas para fazer cálculos pelo tato.

Quem adaptou o sorobã para pessoas cegas?

O brasileiro Joaquim Lima de Moraes, em 1949. A borracha compressora que segura as contas foi ideia de seu aluno José Valesin.

O sorobã é obrigatório na escola?

A Portaria MEC nº 1.010/2006 o instituiu como recurso educativo específico e imprescindível para a execução de cálculos por alunos com deficiência visual.

Quanto vale cada conta?

A conta de cima vale 5 e cada uma das quatro contas de baixo vale 1, desde que estejam encostadas na régua. Cada haste é uma ordem: unidades, dezenas, centenas.