Helen Keller: frases com o livro e o ano de cada uma

Estas são frases de Helen Keller que você pode citar com fonte: cada uma traz o livro em que ela escreveu, o ano e o link para o texto completo. Procuramos cada frase, palavra por palavra, nos livros dela, em inglês, e a tradução é nossa. No fim estão as que circulam com o nome dela sem estar nos livros, com o que se sabe de cada uma.

Em resumo

  • 15 frases lidas nos livros dela, de The Story of My Life (1903) a Let Us Have Faith (1940), cada uma com o link para o texto.
  • A da vida como aventura ousada é dela. Está em Let Us Have Faith, de 1940. O at all que a versão em inglês que circula leva no fim não está no livro.
  • Várias frases muito repetidas não estão nos livros dela, como a do sol e das sombras ou a de ter vista e não ter visão.
  • Uma das frases atribuídas a ela é de outro autor. A dos pequenos empurrões de cada trabalhador honesto ela cita em Optimism, e diz que é do historiador John Richard Green.
  • Duas datas mudam conforme a fonte. A American Foundation for the Blind (AFB) data The Story of My Life em 1902 e Midstream em 1930. Os livros dizem 1903 e 1929.

Quem foi Helen Keller, em duas linhas

Helen Keller nasceu em 27 de junho de 1880, em Tuscumbia, no Alabama, segundo ela mesma conta em The Story of My Life e a cronologia da AFB confirma. Foi uma escritora norte-americana surdocega que aprendeu a linguagem com a professora, Anne Sullivan, e lia em braille: como ela lia e escrevia está em Helen Keller e o braille, que também conta a visita dela ao Brasil. Em 1953, segundo a Fundação Dorina Nowill, ela esteve aqui como visitante oficial do governo brasileiro, com o apoio de Dorina Nowill.

Como as frases estão citadas

  • O original, em inglês e entre aspas. Copiamos as palavras do livro como estão, sem passar de 15 por frase. Quando a frase é mais longa, resumimos o resto com nossas palavras.
  • Embaixo, a tradução, em itálico. As traduções são nossas: não copiamos nenhuma edição, e não verificamos nenhuma tradução publicada no Brasil, então não indicamos nenhuma. Se você cita em português num trabalho, diga que a tradução é sua ou desta página e ponha o original ao lado.
  • Depois, o livro e o ano. O ano vem da página de copyright de cada livro (em The Story of My Life, da data da nota do editor). Três dos livros estão no Project Gutenberg, em texto. Os outros quatro lemos em escaneamentos do livro original no Internet Archive.

Frases sobre otimismo

"Optimism is the faith that leads to achievement; nothing can be done without hope."

O otimismo é a fé que leva à realização; sem esperança, nada se pode fazer (tradução nossa).

Optimism, ensaio de 1903 (texto no Project Gutenberg).

"Life is either a daring adventure or nothing."

A vida é uma aventura ousada ou não é nada.

Let Us Have Faith, 1940, capítulo Faith Fears Not, página 51 da edição de 1940 (escaneamento no Internet Archive). Poucas linhas antes, no mesmo parágrafo, ela escreve "Security is mostly a superstition": a segurança é, na maior parte, uma superstição.

"When one door of happiness closes"

Quando uma porta da felicidade se fecha, outra se abre.

We Bereaved, 1929, um texto curto para quem perdeu alguém (escaneamento no Internet Archive). No original a frase continua com another opens (outra se abre); a citação para antes porque o escaneamento parte a palavra another no fim da linha e não conseguimos conferi-la inteira. O texto segue dizendo que muitas vezes olhamos tanto para a porta fechada que não vemos a que se abriu.

"The only lightless dark is the night of ignorance and insensibility."

A única escuridão sem luz é a noite da ignorância e da insensibilidade.

The World I Live In, 1908, capítulo The Five-Sensed World (texto no Project Gutenberg).

Frases sobre aprender e Anne Sullivan

"The most important day I remember in all my life"

O dia mais importante de que me lembro em toda a minha vida.

The Story of My Life, 1903, primeira linha do capítulo IV (texto no Project Gutenberg). Esse dia é 3 de março de 1887, quando Anne Sullivan chegou à casa dela, segundo a cronologia da AFB. As cartas de Sullivan que o mesmo livro traz também dão março de 1887.

"That living word awakened my soul, gave it light, hope, joy, set it free!"

Aquela palavra viva despertou a minha alma, deu-lhe luz, esperança, alegria, libertou-a!

The Story of My Life, 1903, capítulo IV. A palavra era water, água. Sullivan a soletrou em uma das mãos dela enquanto a água da bomba corria pela outra, e ela entendeu que as coisas tinham nome.

"Knowledge is love and light and vision."

Conhecimento é amor, luz e visão.

The Story of My Life, 1903, última linha do capítulo III. No livro, é uma voz que ela diz ouvir do alto do monte Sinai, uma imagem para o que veio com a chegada da professora, contada no capítulo seguinte.

"One can never consent to creep when one feels an impulse to soar."

Ninguém se conforma em rastejar quando sente o impulso de voar.

Discurso dela em Mount Airy, na Pensilvânia, em 8 de julho de 1896, segundo a introdução do livro. Fala do valor da fala para as crianças surdas e do esforço de aprender a falar, e está recolhido em The Story of My Life, 1903 (texto no Project Gutenberg).

Frases sobre leitura e braille

"In a word, literature is my Utopia. Here I am not disfranchised."

Em uma palavra, a literatura é a minha utopia. Aqui, ninguém me deixa de fora.

The Story of My Life, 1903, capítulo XXI. Ela segue dizendo que nenhuma barreira dos sentidos a afasta da conversa dos amigos dela, os livros.

"when I hold a beloved book in my hand my limitations fall from me"

quando tenho na mão um livro querido, minhas limitações caem de mim

Midstream, 1929, primeira linha do capítulo XIX, Enchanted Windows (escaneamento no Internet Archive). É o livro em que ela conta a vida adulta, segundo a cronologia da AFB.

"we consider Louis Braille our greatest benefactor"

consideramos Louis Braille o nosso maior benfeitor

Midstream, 1929, página 78. O "nós" é o das pessoas cegas: a frase vem logo depois de ela dizer que o mundo inteiro de pessoas cegas instruídas usa hoje o sistema de Braille. Nas mesmas páginas conta que teve de aprender cinco sistemas de leitura em relevo, porque os livros eram impressos em todos eles: "I learned five different prints". Quem foi Braille está em Louis Braille: quem foi o inventor do braille.

"Whatever is not in braille I depend upon others to read to me."

O que não está em braille, dependo de outras pessoas para ler para mim.

Midstream, 1929. Onde achar livros em braille hoje no Brasil está em livros em braille.

Frases sobre trabalhar pelos outros

"accomplish humble tasks as though they were great and noble"

realizar as tarefas humildes como se fossem grandes e nobres

Optimism, 1903 (texto no Project Gutenberg). Antes, ela diz que deseja realizar uma grande e nobre tarefa, mas que o seu principal dever e a sua alegria é fazer as humildes como se fossem grandes e nobres.

"They crave no charity, no pension, but the satisfaction that comes from lucrative toil"

Não pedem caridade nem pensão, mas a satisfação de um trabalho pago.

Out of the Dark, 1913, em A Letter to Mark Twain, página 211 (escaneamento no Internet Archive). Ela fala das pessoas cegas adultas: o que pedem, diz, é a oportunidade de trabalhar.

"What has been done for me can be done for others."

O que se fez por mim pode ser feito por outros.

Out of the Dark, 1913, no discurso The Gift of Speech. Ela fala de ajudar crianças surdas a aprender a falar e diz que a instrução e a dedicação de outras pessoas fizeram isso por ela.

Frases atribuídas a ela sem fonte nos livros

Estas frases levam o nome dela em cartazes, redes e sites de citações. Não as encontramos em nenhum dos livros que lemos. Veja o que se sabe de cada uma.

"Alone we can do so little; together we can do so much."

Sozinhos, podemos fazer muito pouco; juntos, podemos fazer muito.

A AFB, que guarda o arquivo dela, a tira do roteiro das apresentações de vaudeville de Keller e Anne Sullivan, sem data (AFB). O Quote Investigator remete a uma biografia de 1980 e conclui que ela dizia a frase no palco. Não lemos nem o roteiro nem essa biografia: cite como atribuída.

"Keep your face to the sunshine and you cannot see the shadows."

Vire o rosto para o sol e você não verá as sombras.

A AFB só diz que a frase foi citada em uma revista, sem data (AFB). Isso prova que alguém a atribuiu a ela, não onde nem quando ela a disse.

"Never bend your head. Always hold it high."

Nunca abaixe a cabeça. Mantenha-a sempre erguida.

A frase segue: olhe o mundo de frente. Segundo a AFB, aparece em uma coletânea de citações de 1964, que a tira de uma notícia de 1955 sobre uma carta dela a uma criança cega de cinco anos (AFB). Não vimos nem a notícia nem a carta.

A única coisa pior do que ser cego é ter vista, mas não ter visão. Circula muito com o nome dela. Não está em nenhum dos sete livros que lemos nem nas páginas de citações da AFB que lemos. É atribuída a ela sem fonte.

Frases com fonte, mas mudadas

  • A dos pequenos empurrões. Em Optimism (1903), ela escreve que o mundo avança também pelos "tiny pushes of each honest worker", os pequenos empurrões de cada trabalhador honesto. Mas apresenta a ideia como do historiador John Richard Green. É uma citação de Green que ela recolhe.
  • A das coisas mais belas. A versão que circula diz que as coisas mais bonitas do mundo não se veem nem se tocam, mas se sentem com o coração. Aparece, com outras palavras, em uma carta dela a Phillips Brooks recolhida em The Story of My Life: "cannot be seen nor even touched, but just felt in the heart". Na carta, ela diz que isso lhe foi explicado pela professora.

Onde as fontes não coincidem

  • The Story of My Life. A página de livros da AFB diz 1902, e a cronologia da AFB diz que ela o escreve em março de 1903. A nota do editor no início do livro é datada de 1º de fevereiro de 1903 (Project Gutenberg). Aqui vai 1903, o ano do livro.
  • Midstream. As páginas de citações da AFB dizem 1930 (AFB); a cronologia da AFB diz primavera de 1929, e a página de copyright do escaneamento diz 1929. Aqui vai 1929.
  • A frase da utopia. A página de livros da AFB a copia com "disenfranchised" (AFB). O livro de 1903 diz "disfranchised". Aqui vai o texto do livro.

Ela lia com os dedos: a palavra esperança em braille

Keller lia os livros dela em braille, com os dedos. Nem toda pessoa cega lê braille, mas quem quer entender como se lê com as mãos pode começar pela cela. Assim se escreve a palavra esperança, a da frase dela sobre o otimismo: ⠑⠎⠏⠑⠗⠁⠝⠯⠁. O ç tem cela própria, com os pontos 1, 2, 3, 4 e 6, segundo a Grafia Braille para a Língua Portuguesa. Para qualquer outra palavra, use o tradutor braille; se está começando, tenha à mão o alfabeto braille. O Braillito, nosso app, ensina o alfabeto com lições curtas que se jogam no celular. Não é um curso para pessoas surdocegas nem substitui um instrutor: é uma forma de praticar as letras todo dia. Se for útil, baixe o app.

Perguntas frequentes

Qual é a frase mais famosa de Helen Keller?

Não existe um ranking oficial. Duas frases que circulam bastante estão nos livros dela: a da vida como aventura ousada (Let Us Have Faith, 1940) e a da porta da felicidade que se fecha (We Bereaved, 1929). Outras que também circulam, como a do sol e das sombras, não têm fonte no que ela escreveu.

A frase da vida como uma aventura ousada é dela?

Sim. Está em Let Us Have Faith, de 1940, no capítulo Faith Fears Not. O original é "Life is either a daring adventure or nothing." A versão que circula em inglês acrescenta at all no fim, e isso não está no livro. Segundo o Quote Investigator, uma versão impressa em 1980, quatro décadas depois do livro, já traz o acréscimo.

Quais livros Helen Keller escreveu?

A AFB diz que ela escreveu 14 livros e mais de 475 discursos e ensaios, e que a autobiografia foi traduzida para 50 idiomas (AFB). Os sete desta página são The Story of My Life (1903), a autobiografia; Optimism (1903); The World I Live In (1908); Out of the Dark (1913); Midstream (1929); We Bereaved (1929) e Let Us Have Faith (1940).

Helen Keller lia braille?

Sim. Em Midstream (1929), ela conta que aprendeu cinco sistemas de leitura em relevo e que o que não estava em braille precisava que outra pessoa lesse para ela. Quem criou o braille está em Louis Braille: quem foi o inventor do braille, e onde ler hoje, em livros em braille.