Livros em braille: onde encontrar e baixar de graça

Encontrar livros em braille é mais fácil do que parece, e quase sempre é gratuito. No Brasil, a Dorinateca, da Fundação Dorina Nowill, oferece milhares de livros acessíveis para baixar, incluindo braille para imprimir, e o Instituto Benjamin Constant distribui gratuitamente livros em braille a escolas e instituições. Em Portugal, a Biblioteca Nacional empresta livros em braille desde 1969. E a lei brasileira permite reproduzir obras em braille sem pedir autorização, desde que sem fins comerciais.

A seguir: cada lugar, o que oferece, como é um livro em braille e o que fazer quando o título que você procura não existe. Os números vêm dos sites das instituições, consultados em 8 de outubro de 2026.

Em resumo

  • A Dorinateca é a biblioteca digital da Fundação Dorina Nowill: gratuita, com mais de 5 mil títulos em braille para impressão, DAISY, MP3 e fonte ampliada, para pessoas com deficiência visual residentes no Brasil.
  • O Instituto Benjamin Constant (IBC), no Rio de Janeiro, tem a incumbência de distribuir livros em braille gratuitamente para todo o país desde 1949.
  • O IBC publica a Revista Brasileira para Cegos desde 1942, a primeira revista em braille do Brasil, e a infantojuvenil Pontinhos desde 1959.
  • Em Portugal, a Biblioteca Nacional tem mais de 7 mil títulos em braille e empresta por 30 dias renováveis.
  • A Lei 9.610/1998 permite reproduzir obras em braille para uso exclusivo de pessoas com deficiência visual, sem fins comerciais.

Como é um livro em braille

Um livro em braille é impresso em relevo num papel grosso e ocupa muito mais espaço que a edição em tinta: as celas braille são maiores que as letras e não podem ficar menores do que o dedo consegue ler. Um romance comum costuma ocupar vários volumes. A palavra "livro", por exemplo, usa cinco celas: ⠇⠊⠧⠗⠕.

Por isso, muitas pessoas combinam papel e digital: o papel para estudar com calma ou guardar, e uma linha braille ligada ao computador ou ao celular para o resto. Uma linha braille mostra o texto de um livro digital em braille, uma linha por vez.

No Brasil: a Dorinateca

A Dorinateca é a biblioteca on-line da Fundação Dorina Nowill para Cegos, lançada em 2015. Segundo a fundação, o acervo reúne obras literárias, dicionários e edições da Revista Falada em quatro formatos: DAISY (digital acessível), braille para impressão, fonte ampliada e MP3. Em 2019, já eram 5.045 títulos (conheça a Dorinateca).

O acesso é gratuito. Podem se cadastrar pessoas com deficiência visual e organizações que promovem a leitura inclusiva; como as obras acessíveis são de uso exclusivo desse público, a equipe da fundação avalia cada cadastro. Cada leitor pode baixar até três livros por mês.

No Brasil: o Instituto Benjamin Constant

O Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, é o antigo Imperial Instituto dos Meninos Cegos, criado em 1854, a primeira escola para cegos do país. Sua oficina tipográfica foi instalada em 14 de agosto de 1857, com tipos braille importados da França, e o regimento de 1943 criou a Imprensa Braille. Pela Portaria nº 504, de 17 de setembro de 1949, o instituto recebeu a incumbência da distribuição gratuita de livros em braille para todo o país (O Instituto Benjamin Constant e o Sistema Braille, revista Benjamin Constant, 2014).

O IBC também publica duas revistas em braille: a Revista Brasileira para Cegos, lançada em 1942, a primeira do país, e a infantojuvenil Pontinhos, de 1959. Os materiais vão para escolas e instituições públicas ou sem fins lucrativos que atendem pessoas com deficiência visual. A história completa está em o braille no Brasil.

Em Portugal: a Biblioteca Nacional

A Biblioteca Nacional de Portugal mantém, desde 1969, um serviço de leitura para pessoas com deficiência visual. Segundo o site, o acervo tem mais de 7.000 títulos em braille, dos quais 4.000 são obras musicais, além de 1.575 títulos em áudio. Os livros em braille são emprestados por 30 dias renováveis a qualquer pessoa com deficiência visual, de qualquer idade, depois da inscrição (leitura para deficientes visuais).

O que a lei permite

No Brasil, a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998, art. 46, I, d) diz que não ofende os direitos autorais a reprodução de obras literárias, artísticas ou científicas para uso exclusivo de pessoas com deficiência visual, desde que sem fins comerciais e feita em braille ou em outro suporte para esse público.

O Brasil também aderiu ao Tratado de Marraqueche, assinado em 2013 e promulgado pelo Decreto nº 9.522, de 8 de outubro de 2018. O tratado facilita o acesso de pessoas cegas ou com deficiência visual a obras publicadas e a troca de livros acessíveis entre países. Por ter sido aprovado como tratado de direitos humanos, tem no Brasil força de emenda constitucional.

Livros infantis em braille

Para crianças, os livros em braille costumam trazer o texto em braille e em tinta na mesma página, para que adultos e crianças que enxergam possam ler junto. A Dorinateca tem histórias infantis e contos de fadas, e a revista Pontinhos, do IBC, é feita para o público infantojuvenil. Quem está começando pode praticar as letras com o alfabeto braille.

Se o livro que você procura não existe em braille

  • Pergunte primeiro a uma biblioteca. A Fundação Dorina, o IBC e a Biblioteca Nacional sabem se um título existe em braille e onde.
  • Para um livro didático, fale com a escola: a rede pública tem caminhos para obter material em braille para alunos com deficiência visual.
  • Para um texto curto, veja como ele fica com o nosso tradutor braille. Para um texto em que alguém vai confiar, o melhor é uma transcrição profissional.

Perguntas frequentes

Onde baixar livros em braille de graça?

Na Dorinateca, da Fundação Dorina Nowill, depois do cadastro aprovado. Ela oferece livros em braille para impressão e em outros formatos acessíveis, para pessoas com deficiência visual e organizações no Brasil.

O Instituto Benjamin Constant distribui livros em braille?

Sim. Desde a Portaria nº 504, de 1949, o IBC tem a incumbência de distribuir gratuitamente livros em braille para todo o país, para escolas e instituições que atendem pessoas com deficiência visual.

Posso transcrever um livro para braille sem autorização?

Pela Lei nº 9.610/1998, a reprodução em braille para uso exclusivo de pessoas com deficiência visual, sem fins comerciais, não ofende os direitos autorais.

Por que os livros em braille são tão grandes?

Porque as celas braille são maiores que as letras impressas, não podem ser reduzidas sem que o dedo deixe de lê-las, e são marcadas em papel grosso. Um romance costuma ocupar vários volumes.

Onde pegar livros em braille emprestados em Portugal?

Na Biblioteca Nacional de Portugal, que empresta livros em braille por 30 dias renováveis a pessoas com deficiência visual inscritas.