Placas em braille: elevador, corrimão e a NBR 9050

As placas em braille identificam andares, portas e banheiros para quem lê com os dedos, e no Brasil seguem a norma ABNT NBR 9050. No elevador, o número do andar vai em relevo e em braille nos dois batentes da porta; na escada, o braille do andar fica em cima do prolongamento do corrimão. Em prédios de uso público ou coletivo, o Decreto 5.296 torna a sinalização tátil obrigatória.

Em resumo

  • Elevador: o número do andar vai em relevo e em braille nos dois batentes externos da porta, entre 1,20 m e 1,60 m do piso (NBR 9050, item 5.4.5.2).
  • Corrimão: o braille do andar vai na parte de cima do prolongamento do corrimão, nas pontas da escada ou da rampa (NBR 9050, item 5.4.3).
  • Banheiros: todas as portas de sanitários, banheiros e vestiários devem ser sinalizadas, e uma porta sinalizada leva texto em relevo e braille (NBR 9050, item 5.4.1).
  • Lei: o Decreto 5.296, de 2004, pede sinalização visual e tátil em prédios de uso público ou coletivo e o andar em braille junto às botoeiras do elevador.
  • Escrita: o número do andar leva o sinal de número (pontos 3, 4, 5 e 6) antes dos algarismos. Gere o texto no tradutor braille e peça a um leitor de braille que confira.

O que é uma placa tátil

Uma placa tátil dá a mesma informação de três jeitos:

  • Visual: letras e números com bom contraste, para quem enxerga e para quem tem baixa visão.
  • Em relevo: caracteres e símbolos salientes, que se leem passando a ponta dos dedos.
  • Em braille: o sistema de seis pontos, para quem lê braille.

A NBR 9050 não deixa o braille sozinho. O item 5.2.9.2.4.1 diz que "As informações em Braille não dispensam a sinalização visual e tátil", com caracteres ou símbolos em relevo. A exceção é o corrimão: ali o braille pode ir sem o relevo ao lado, porque a parte visual e em relevo pode ficar na parede (item 5.4.3).

Outros pontos da mesma norma:

  • Que placas são essenciais. Em edificações, o item 5.2.8.1.2 lista as informações de sanitários, banheiros, vestiários, acessos verticais e horizontais, números de pavimentos e rota de fuga.
  • As letras. O tamanho das letras e números deve ser proporcional à distância de leitura, na relação 1/200. A norma recomenda fontes sem serifa e pede letras em caixa alta e baixa; a caixa alta fica para mensagens de advertência (item 5.2.9.1.3).
  • O ponto. O ponto em braille deve ter aresta arredondada, na forma esférica, e o arranjo das celas segue as figuras 33 e 34 da norma (item 5.2.9.2.4.4). As medidas estão nas figuras, não no texto: confira-as na norma antes de encomendar uma placa.

Em casa e na escola, o braille vai em etiquetas de potes, roupas e cadernos; nos restaurantes, no cardápio. Cada um tem as suas regras.

Os itens citados aqui são da NBR 9050 de 2015 com a Emenda 1, de 2020. É a versão que a Câmara dos Deputados lista entre as normas da ABNT de acessibilidade como NBR 9050/2020.

O que a lei pede

A norma técnica ganha força pela lei. O Decreto 5.296, de 2 de dezembro de 2004, regulamenta a Lei 10.098, de 2000, e trata das placas em dois artigos:

  • Artigo 26: nas edificações de uso público ou de uso coletivo, "é obrigatória a existência de sinalização visual e tátil" para orientar pessoas com deficiência auditiva e visual, conforme as normas técnicas de acessibilidade da ABNT.
  • Artigo 27, § 2º: junto às botoeiras externas do elevador, "deverá estar sinalizado em braile em qual andar da edificação a pessoa se encontra". O artigo trata de elevadores novos ou adaptados em prédios de uso público ou coletivo e de prédios residenciais novos que sejam obrigados a ter elevador.

A Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000, inclui o braille e "o sistema de sinalização ou de comunicação tátil" no que ela chama de comunicação (artigo 2º, inciso IX).

A lei federal não lista as placas uma a uma: exige sinalização tátil e remete às normas da ABNT. O código de obras da sua cidade pode pedir mais; para um prédio concreto, vale consultar a prefeitura.

Elevador: o que vai em cada lugar

Nos batentes, em cada andar

O item 5.4.5.2 da NBR 9050 pede a sinalização do pavimento nos dois batentes externos da porta do elevador, indicando o andar, em relevo e em braille:

  • caracteres de 15 mm a 50 mm de altura, com 5 mm de distância entre eles;
  • instalação entre 1,20 m e 1,60 m do piso.

É essa placa que diz a quem sai do elevador em que andar chegou.

Na botoeira do andar

O Decreto 5.296 pede o andar em braille junto às botoeiras externas (artigo 27, § 2º). Já a norma de elevadores NBR NM 313 não pede braille nos botões de chamada, os de subir e descer: na tabela 2 dela, os símbolos em braille aparecem como não aplicáveis à botoeira do pavimento. Para a botoeira da cabine, a mesma tabela diz onde fica o braille e qual o tamanho de cada cela.

A mesma norma pede, no andar, um sinal sonoro que avise a chegada da cabine (item 5.4.3.1). Onde o sistema já define o próximo sentido de viagem, um indicador luminoso mostra esse sentido, acompanhado de som: um som para subir, dois para descer (item 5.4.3.2).

Dentro da cabine

A NBR NM 313, que vale desde 1º de janeiro de 2008 e substituiu a NBR 13994, detalha a botoeira da cabine:

  • um botão para cada andar, identificado com símbolos como -2, -1, 0, 1 e 2 (item 5.4.2.1, a);
  • o braille fica do lado esquerdo da parte ativa do botão ou sobre ela, com 7,4 mm por 4,7 mm para cada cela (tabela 2, linha r);
  • o relevo dos símbolos tem no mínimo 0,8 mm de altura (tabela 2, linha k);
  • o botão do andar de saída principal fica 5 mm ± 1 mm mais alto que os outros e, de preferência, é verde (tabela 2, linha h);
  • o centro do botão mais baixo fica a pelo menos 900 mm do piso, e o do mais alto, a no máximo 1.300 mm na cabine (tabela 2, linhas n e o).

Quando a cabine para, uma voz deve indicar o andar no idioma local (item 5.4.4.2).

O guia de acessibilidade cultural do programa Cultura Viva, do governo federal, usa o item 5.4.5.1 da NBR 9050 e os itens 5.4.2 e 5.4.4 da NM 313 para conferir se "O elevador possui braile na botoeira e anúncio verbal".

A lista da Câmara traz, ao lado da NM 313/2007, a NBR 16858-3/2022, sobre elevadores para pessoas com deficiência. Não encontramos texto público dela. Antes de um projeto ou de uma troca de elevador, confirme com a ABNT ou com a empresa de elevadores qual norma está em vigor.

Corrimão e escada

O item 5.4.3 da NBR 9050 trata da identificação dos andares junto a escadas fixas e rampas. Ela deve ser visual, em relevo e em braille. A parte visual e em relevo pode ir no corrimão ou na parede. A sinalização em braille, diz a norma, "deve estar obrigatoriamente posicionada na geratriz superior do prolongamento do corrimão".

Em palavras simples: na parte de cima do trecho do corrimão que passa do primeiro e do último degrau. Pelo item 6.9.3.2, esse prolongamento tem no mínimo 0,30 m em cada ponta. É ali que a mão está quando a pessoa começa ou termina a escada.

O piso tátil, que se sente com os pés e com a bengala, segue outra norma. Está explicado no post sobre piso tátil.

Banheiros e portas

Pelo item 5.4.1 da NBR 9050, portas e passagens, quando sinalizadas, devem ter números, letras ou pictogramas com texto em relevo, incluindo braille. E a norma acrescenta: "Todas as portas de sanitários, banheiros e vestiários, devem ser sinalizadas".

Na prática, a placa de um banheiro junta o pictograma, a palavra em relevo e a mesma palavra em braille. A posição na porta ou na parede segue a faixa de alcance da figura 62 da norma; as medidas estão lá.

Portas de salas e escritórios seguem a mesma regra quando são sinalizadas: o número da sala vai em relevo e em braille.

Como fazer: o braille de uma placa, passo a passo

  1. Escreva o texto curto. Uma ou duas palavras: Térreo, 1º andar, Banheiro feminino, Saída. Placa não é lugar de frase longa.
  2. Use maiúscula só na inicial. Em braille, a letra maiúscula leva um sinal antes dela, ⠨ (pontos 4 e 6). A palavra toda em maiúsculas leva o sinal duas vezes, o que a Grafia chama de "sinal de maiúscula em todas as letras da palavra". Banheiro fica ⠨⠃⠁⠝⠓⠑⠊⠗⠕; BANHEIRO fica ⠨⠨⠃⠁⠝⠓⠑⠊⠗⠕. A NBR 9050 também pede caixa alta e baixa no texto visual.
  3. Ponha o sinal de número. Os algarismos usam as letras de a até j, precedidas do sinal de número ⠼ (pontos 3, 4, 5 e 6), como manda a Grafia Braille para a Língua Portuguesa, do MEC. Veja todos na página de números em braille.
  4. Gere as celas no tradutor. Digite o texto no tradutor braille e confira letra por letra no alfabeto braille. Para andares de subsolo (-1, -2), o sinal de menos tem regra própria, e nossa página de números não cobre esse caso: confirme com um transcritor de braille.
  5. Peça uma revisão. Um ponto errado troca a letra. Antes de fabricar, peça a um leitor de braille ou a um transcritor que confira o arquivo, e verifique se os pontos saem em relevo e arredondados, não apenas impressos.

Exemplos de placas em braille

Placa Braille
0 ⠼⠚
1 ⠼⠁
2 ⠼⠃
10 ⠼⠁⠚
15 ⠼⠁⠑
Térreo ⠨⠞⠿⠗⠗⠑⠕
1º andar ⠼⠂⠕ ⠁⠝⠙⠁⠗
2º andar ⠼⠆⠕ ⠁⠝⠙⠁⠗
Banheiro ⠨⠃⠁⠝⠓⠑⠊⠗⠕
Feminino ⠨⠋⠑⠍⠊⠝⠊⠝⠕
Masculino ⠨⠍⠁⠎⠉⠥⠇⠊⠝⠕
Sala 101 ⠨⠎⠁⠇⠁ ⠼⠁⠚⠁
Saída ⠨⠎⠁⠌⠙⠁
Escada ⠨⠑⠎⠉⠁⠙⠁
Elevador ⠨⠑⠇⠑⠧⠁⠙⠕⠗

Três detalhes da tabela:

  • O é de Térreo usa os seis pontos da cela, ⠿, e o í de Saída usa os pontos 3 e 4, ⠌.
  • No ordinal, o algarismo desce para a parte de baixo da cela e vem seguido da letra o: o 1 de 1º é ⠂ (ponto 2), e não ⠁ (ponto 1).
  • Em Sala 101, o sinal de número aparece uma vez só, antes do primeiro algarismo.

São exemplos gerados pelo código do nosso tradutor. Para uma placa de verdade, a revisão de quem lê braille continua sendo o último passo.

O que a placa em braille não faz

  • Não substitui o piso tátil. A placa diz onde a pessoa está; o piso tátil ajuda no caminho até lá.
  • Não substitui a voz do elevador. A NM 313 pede sinal sonoro na chegada e voz com o andar dentro da cabine.
  • Não serve a quem não lê braille. Por isso a norma pede também relevo e contraste: muitas pessoas com deficiência visual se guiam pelo relevo, pelas cores ou pelo som.
  • Não é um projeto. Este texto explica a norma. O projeto de acessibilidade de um prédio, com medidas e materiais, é trabalho de um profissional da área.

O alfabeto por trás das placas

Cada letra de uma placa é uma cela braille: seis pontos em duas colunas de três. As 26 letras, os acentos e os números estão no alfabeto braille, com os pontos de cada uma.

Uma placa em braille só fala com quem lê braille, e nem toda pessoa cega lê: por isso a norma mantém o relevo, o contraste e a voz do elevador. O Braillito, nosso app, ensina o alfabeto com lições curtas que se jogam no celular. Não é um serviço de transcrição nem substitui a revisão de um transcritor: é um jeito de praticar as letras todos os dias. Se for útil, baixe o app.

Perguntas frequentes

Onde vai a placa em braille no elevador e no corrimão?

No elevador, nos dois batentes externos da porta, em cada andar, entre 1,20 m e 1,60 m do piso (NBR 9050, item 5.4.5.2); dentro da cabine, ao lado de cada botão ou sobre ele (NM 313). No corrimão, na parte de cima do prolongamento, nas pontas da escada ou da rampa (NBR 9050, item 5.4.3).

O que a NBR 9050 pede sobre placas em braille?

Que o braille venha junto com informação visual e em relevo, salvo no corrimão (item 5.2.9.2.4.1). Que as portas de sanitários, banheiros e vestiários sejam sinalizadas, com texto em relevo e braille (item 5.4.1). Que o andar esteja nos batentes do elevador (item 5.4.5.2) e no prolongamento do corrimão (item 5.4.3). E que o ponto seja arredondado, conforme as figuras 33 e 34.

Toda placa de acessibilidade precisa ter braille?

Os trechos da NBR 9050 citados aqui pedem braille em lugares definidos: nas portas sinalizadas, incluindo todas as de sanitários, banheiros e vestiários (item 5.4.1), nos batentes do elevador (item 5.4.5.2) e no corrimão de escadas e rampas (item 5.4.3). A norma lista como sinalização essencial a de sanitários, banheiros, vestiários, acessos verticais e horizontais, números de pavimentos e rota de fuga (item 5.2.8.1.2). O Decreto 5.296 exige sinalização visual e tátil em prédios de uso público ou coletivo, conforme as normas da ABNT. Para outras placas, consulte o texto completo da norma e a prefeitura.

Como escrever o número do andar em braille?

Com o sinal de número (pontos 3, 4, 5 e 6) seguido das letras de a até j: o 2 fica ⠼⠃ e o 10 fica ⠼⠁⠚. No ordinal, como em 1º andar, o algarismo vai na parte de baixo da cela: ⠼⠂⠕ ⠁⠝⠙⠁⠗. Para subsolos, use o tradutor braille e peça a conferência de um transcritor.