Máquina de escrever braille: como funciona e preço

A máquina de escrever braille tem seis teclas, uma para cada ponto da cela, e uma barra de espaço. Apertam-se ao mesmo tempo todas as teclas de uma letra, e a máquina marca a cela inteira em relevo num papel grosso. Ela escreve da esquerda para a direita, do lado que se lê, sem eletricidade. A mais conhecida no mundo é a Perkins, fabricada desde 1951; no Brasil, a Laramara produz há mais de 20 anos uma máquina nacional.

Em resumo

  • Seis teclas de pontos, apertadas juntas. Da esquerda para a direita: pontos 3, 2 e 1, a barra de espaço e os pontos 4, 5 e 6.
  • Escreve do lado certo e da esquerda para a direita: dá para reler na hora. Com a reglete e o punção, escreve-se ao contrário, da direita para a esquerda.
  • A Perkins clássica é de metal, pesa cerca de 4,8 kg e escreve até 42 celas por linha.
  • A Máquina Braille Laramara é feita no Brasil, pesa 4,7 kg e escreve 25 linhas de 42 celas numa folha A4.
  • Preços consultados em 8 de outubro de 2026: R$ 10.990 pela Perkins Brailler na loja Civiam e R$ 5.568 pela Máquina Braille Laramara na Laratec.

Como funcionam as teclas

A máquina tem nove teclas em fila. No centro, a barra de espaço. À esquerda dela, as teclas dos pontos 3, 2 e 1, apertadas com o anelar, o médio e o indicador da mão esquerda. À direita, os pontos 4, 5 e 6, com o indicador, o médio e o anelar da mão direita. Nas pontas ficam a tecla de mudança de linha e a de retrocesso.

As teclas reproduzem a cela como ela é lida: a mão esquerda escreve a coluna da esquerda (pontos 1, 2 e 3), a mão direita, a da direita (pontos 4, 5 e 6). Para uma letra, apertam-se todos os pontos dela de uma vez:

Letra Braille Teclas apertadas juntas
a ⠁ 1 (indicador esquerdo)
c ⠉ 1 + 4 (os dois indicadores)
p ⠏ 1 + 2 + 3 + 4
é ⠿ as seis teclas
ç ⠯ 1 + 2 + 3 + 4 + 6
ã ⠜ 3 + 4 + 5

A palavra pão (⠏⠜⠕) sai em três toques: 1 + 2 + 3 + 4, depois 3 + 4 + 5, depois 1 + 3 + 5. Cada toque marca uma cela e avança um espaço.

As letras com acento, til e cedilha não pedem nada especial: a máquina não conhece idiomas, só marca os pontos que você aperta. A mesma máquina serve para português, inglês ou qualquer outra língua; o que muda é que pontos correspondem a cada letra, e isso está no alfabeto braille.

Essa disposição de seis teclas hoje se chama teclado Perkins. As linhas braille, os blocos de notas braille e o teclado braille dos celulares usam as mesmas seis teclas.

O papel

A máquina pede papel grosso, bem mais que o de impressora, para que os pontos não se achatem sob os dedos. Papel comum também marca, mas os pontos amassam rápido: serve para treinar, não para um texto que vai ser relido muitas vezes.

Os modelos à venda no Brasil

Preços e características dos sites das lojas, consultados em 8 de outubro de 2026:

Modelo O que é Peso Preço
Perkins Brailler O modelo clássico americano, de 1951, com estrutura de ferro fundido; 25 linhas de 42 celas 4,85 kg R$ 10.990 na Civiam
Máquina Braille Laramara Fabricada no Brasil pela Laramara há mais de 20 anos; 25 linhas de 42 celas em folha A4, com aviso sonoro 6 celas antes do fim da linha 4,7 kg R$ 5.568 na Laratec

Antes de comprar, vale perguntar à escola, à associação de pessoas cegas da sua cidade ou ao serviço de educação especial: muitos emprestam máquinas aos alunos. Uma máquina bem cuidada dura décadas, e uma usada e revisada é uma opção razoável.

De onde ela veio

A Perkins não foi a primeira máquina de escrever braille. Frank Hall, diretor do instituto de educação de cegos de Illinois, construiu a primeira em 1892. A Perkins School for the Blind, perto de Boston, fabricou um modelo A a partir de 1907, mas essas máquinas, feitas à mão, eram irregulares e difíceis de consertar, e a produção parou em 1931.

O diretor da escola, Gabriel Farrell, pediu então a David Abraham, professor de artes industriais, uma máquina confiável e barata. Abraham trabalhou com o professor de matemática Edward Waterhouse e construiu o protótipo em 1941. As restrições industriais da guerra atrasaram a produção, e a primeira Perkins foi vendida em 1951. O modelo mudou muito pouco desde então: foram fabricadas mais de 375 mil.

Máquina, reglete ou teclado?

Ferramenta Ideal para O lado ruim
Máquina braille Aprender a escrever, tarefas escolares, etiquetas, textos que serão relidos Pesada, barulhenta, cara
Reglete e punção Levar sempre consigo, anotações rápidas; barata Marca-se ponto por ponto, da direita para a esquerda
Linha braille com teclado Perkins Escrever textos digitais, e-mails, documentos Cara; precisa de carga
Teclado braille do celular Escrever mensagens na tela sensível ao toque Sem papel nem relevo

Todas usam os mesmos números de pontos: o que se aprende numa serve nas outras.

Ainda vale a pena?

Para muitos estudantes cegos, sim. A máquina não precisa de bateria, aguenta décadas numa sala de aula, responde na hora sob os dedos e ensina a forma física de cada cela melhor que uma tela. Para um adulto que precisa sobretudo de texto digital, uma linha braille costuma fazer mais sentido.

Se você está começando, aprenda primeiro o alfabeto: a máquina marca os pontos que você aperta, e é preciso conhecê-los. Comece por como aprender braille.

Perguntas frequentes

Como funciona a máquina de escrever braille?

Ela tem seis teclas, uma para cada ponto, mais espaço, retrocesso e mudança de linha. Apertando várias teclas ao mesmo tempo, marca-se uma cela inteira em relevo num papel grosso.

Quanto custa uma máquina de escrever braille?

Em 8 de outubro de 2026, a Perkins Brailler custava R$ 10.990 na loja Civiam, e a Máquina Braille Laramara, feita no Brasil, R$ 5.568 na Laratec.

Quanto pesa uma máquina braille?

A Perkins clássica pesa cerca de 4,8 kg, e a Máquina Braille Laramara, 4,7 kg.

Dá para escrever acentos e cedilha na máquina braille?

Sim. A máquina não tem idioma: marca os pontos que você aperta. O é, o ã ou o ç se escrevem apertando os pontos de cada um, como qualquer letra.

Quem inventou a máquina Perkins?

David Abraham, professor da Perkins School for the Blind, com Edward Waterhouse. O protótipo é de 1941, e a primeira máquina foi vendida em 1951.